Boas perspectivas no horizonte

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Boas perspectivas no horizonte

Conheça alguns dos setores mais aquecidos do mercado em três frentes: novas atuações para as carreiras tradicionais; áreas essenciais para o desenvolvimento do país; e as profissões verdes com foco na sustentabilidade.

Não se fala em outra coisa. A economia brasileira vai relativamente bem em meio ao cenário turbulento da crise internacional, o número de empregos formais aumenta (só no primeiro semestre de 2012, foi criado mais de 1 milhão de postos de trabalho, segundo o Cadastro Geral de Emprega-dos e Desempregados), a nova classe C consome mais do que nunca e as oportunidades de trabalho e negócios são as melhores das últimas décadas. Tudo bem. Ótimo. Mas como encontrar a graduação certa e ingressar nesse cenário com boa chance de colocação?

Foi pensando nesse tipo de dúvida que o GUIA DO ESTUDANTE preparou uma seleção com 15 áreas de desta-que, verdadeiras estrelas do mercado. No primeiro bloco, identificamos as renovações pelas quais passam as chama-das áreas tradicionais, como direito, saúde e administração. Em seguida, pinçamos algumas das áreas que têm carência de profissionais. Como os engenheiros civis, no clássico exemplo que expõe o déficit de mão de obra qualificada em uma época em que o Brasil tenta crescer e emplacar na arena mundial. No terceiro e último bloco, selecionamos atividades que põem o país no rumo do crescimento sustentável, em áreas novas e promissoras. De cada um desses três grandes grupos, você confere ainda um depoimento de um profissional que atua nessas áreas promissoras, contando como ingressou no setor e como é seu dia a dia de trabalho.

• Novas demandas

Como panorama geral do mercado, é bom saber que, se por um lado houve uma ampliação da oferta de vagas, por outro, as exigências para o profissional também aumentaram. “Com o acirramento da concorrência e a busca das empresas por melhores resultados, o mercado passou a exigir maior qualificação técnica e comportamental dos profissionais”, afirma Margareth Bianchini, diretora da MBianchini Consulting e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo (SP). Outra novidade é a entrada de mais estrangeiros no país, em decorrência da crise na Europa e nos Estados Unidos. Mais de 70 mil profissionais vindos de outros países foram autorizados a trabalhar no Brasil em 2011, 25,9% a mais do que em 2010.

• Áreas clássicas, atuações renovadas

Os cursos de Direito e os relacionados às áreas de gestão, educação, saúde e comunicação concentram, todos os anos, boa parte das inscrições nos vestibulares. São graduações consideradas tradicionais, sempre com grande procura e número de matrículas. Por um lado, os profissionais encontram forte concorrência ao entrar no mercado de trabalho. Por outro, no entanto, a renovação pela qual essas cinco áreas clássicas vêm passando nos últimos anos – impulsionada pelo advento das novas tecnologias, pela preocupação com o meio ambiente e a qualidade de vida e pela priorização das relações interpessoais – amplia as possibilidades de atuação e, assim, abre oportunidades. Veja, a seguir, quais são as novas tendências.

 

                                                                                                                Educação

Apesar de a Pedagogia ser uma carreira reconhecida-mente difícil e pouco valorizada no Brasil, os esforços do governo para universalizar o ensino e a carência de profissionais qualificados geram oportunidades para quem se forma na área. Normalmente, o mercado apresenta dois grandes nichos: dentro e fora do espaço escolar. Nas escolas, a exigência legal de que os alunos com deficiência sejam matriculados em salas de aula regulares faz aumentar a procura por profissionais especializados em educação inclusiva. Cresce também a procura por educadores capacitados a trabalhar com administração escolar, uma vez que secreta-rias estaduais e municipais de Educação de todo o país vêm abrindo concursos para funções de direção, coordenação e orientação pedagógica. Já fora do espaço escolar, o pedagogo é cada vez mais requisitado para trabalhar com pedagogia hospitalar e com pedagogia empresarial. “O grande desafio é saber se reinventar, sem abandonar os alicerces da Pedagogia, como alfabetizar e atuar na educação infantil”, afirma Maria Cláudia Dal’Igna, coordenadora do curso de Pedagogia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo (RS).

• Atuações em destaque

➡ Educação inclusiva: Elaborar material didático e orientar o professor de sala regular na realização de atividades para alunos com deficiência.

➡ Pedagogia empresarial: Desenvolver projetos educacionais, sociais e culturais para empresas, ONGs e outras instituições.

➡ Pedagogia hospitalar: Atuar com processos educativos de crianças e jovens internados.

 

                                                                                                                Gestão

A administração é uma das profissões mais tradicionais e abrangentes do mercado: dentro de uma empresa, o administrador pode atuar com estratégia, marketing, produção e logística, gestão de pessoas e finanças. Mais recentemente, a crescente preocupação com a questão da sustentabilidade aumenta a procura por profissionais capazes de pensar em um modelo de gestão que considere os aspectos social, econômico, ambiental e cultural. A gestão estratégica da tecnologia da informação também é uma atuação promissora e indispensável para aperfeiçoar os processos das organizações. “Novas tecnologias e sistemas de informações devem estar integrados, o que faz com que a Ti tenha relação direta com o trabalho do administrador”, diz Alex Sandro Quadros Weymer, coordenador do curso de Administração da PUCPR. Além disso, acredita-se cada vez mais que as aspirações dos funcionários e as relações interpessoais reflitam nos processos decisórios e nos rumos dos negócios, o que torna a gestão de recursos humanos outra atuação bastante aquecida.

• Atuações em destaque

➡ Gestão para a sustentabilidade: elaborar planos de crescimento da empresa, considerando a sociedade e o ambiente.

➡ Gestão estratégica da tecnologia da informação: Gerenciar os sistemas de tecnologia de uma empresa, atualizando os equipamentos e programas necessários ao negócio.

➡ Gestão de recursos humanos: Conduzir as relações entre a empresa e os empregados, o que envolve sele-ção, admissão, retenção de talentos e demissão. Lidar com a flexibilização das leis trabalhistas.

 

                                                                                                                Saúde

Na esteira da valorização da qualidade de vida e da expansão dos serviços de saúde, várias profissões da área da saúde são beneficiadas e oferecem vagas. Uma delas é a Biomedicina, em alta por causa da proliferação dos laboratórios de análises clínicas e diagnósticos e das pesquisas em áreas como citopatologia (estudo das células e suas alterações) e reprodução humana. Outra é a Fisioterapia, com a demanda de profissionais no setor hospitalar, para trabalhar com atendimento intensivo a pacientes. Destaca-se ainda a Gerontologia, que tem por objetivo melhorar a qualidade de vida dos idosos, uma população em franco crescimento no Brasil graças ao aumento na expectativa de vida – 73,4 anos em 2010, de acordo com o último censo, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Para chegarem ao patamar dos Estados Unidos, de um médico para cada 411 pessoas, as faculdades brasileiras ainda precisam formar mais de 100 mil profissionais. O Brasil tem um médico para cada 578 habitantes. “A área mais carente é a de medi-cina de família e comunidade, na qual há poucos especialistas”, afirma Maria Helena Itaqui Lopes, coordenadora do curso de Medicina da PUCRS.

 Atuações em destaque

➡ Biomedicina: Pesquisar as doenças humanas, suas causas e os meios de tratá-las.

➡ Fisioterapia: Atuar no tratamento e na prevenção de lesões e na reabilitação de doentes.

➡ Gerontologia: Realizar avaliação ampla do idoso e de seu contexto social.

➡ Medicina: Atuar com famílias e comunidades na prevenção, na cura e na reabilitação de pacientes em conjunto com uma equipe multiprofissional.

 

                                                                                                                Comunicação

O advento e a consolidação das novas tecnologias de in-formação e comunicação – como a internet – têm reforçado a relevância da comunicação e colaborado para o surgimento de novas possibilidades de atuação. “Hoje, há a figura do consumidor e produtor de comunicação, simultaneamente. Mas isso só corrobora o mais relevante: se alguém tem algo importante a comunicar, haverá alguém para consumir essa informação”, afirma Aryovaldo de Castro Azevedo Júnior, coordenador do curso de Comunicação social da UFRN. A proliferação das redes sociais as transforma em boas frentes de atuação para os egressos dos cursos de comunicação em geral, que podem atuar com conteúdos digitais para blogs,games e aplicativos, e com gestão de mídias sociais. Em publicidade, cada vez mais as empresas se interessam pelo conceito de branded content, conteúdo produzido para as marcas, com caráter de entretenimento ou informação. O graduado em Multimídia encontra boa chance em design digital, mercado que cresce mais depressa que o número de profissionais qualificados. E o extenso volume de informações que precisam ser coletadas, organizadas, armazenadas e avaliadas aquece o mercado para os graduados em Gestão da Informação.

• Atuações em destaque

➡ Mídias sociais: Interagir com clientes em redes sociais, como o Facebook.

➡ Publicidade: Elaborar estratégias de promoção de vendas, sobretudo online.

➡ Multimídia: Elaborar sites e desenvolver interfaces para mídias digitais.

➡ Gestão da informação: Atuar na busca, seleção e recuperação de dados e informações para órgãos e em-presas.

 

                                                                                                                Direito

 

Além de atuar em áreas tradicionais, como direito tributá-rio e trabalhista, o profissional encontra oportunidades em segmentos que se renovaram ou surgiram recentemente. Bons exemplos são o biodireito e o direito ambiental. Nesse último, municípios, estados e empresas buscam se adequar às políticas voltadas para a preservação do meio ambiente e, para dar conta dessas novas regras, contratam advogados, aquecendo o mercado. A infraestrutura nacional também passa por um momento de transformação e absorve profissionais – do chamado direito da infraestrutura – para dar suporte legal a privatizações, concessões e parcerias público-privadas, ligadas, por exemplo, à exploração de petróleo, gás, pré-sal, ferrovias e rodovias. Graças à popularização dos ambientes virtuais e à crescente necessidade de mediar questões jurídicas entre usuários, agentes e fornecedores da web, surgiu a área do direito eletrônico. Além disso, é cada vez mais frequente a resolução de conflitos por métodos alternativos, como a arbitragem. “As empresas contratam profissionais para mediar problemas ao invés de levá-los ao judiciário, evitando processos demorados”, diz Roberto Baptista Dias da Silva, coordenador do curso de Direito da PUC-SP.

 Atuações em destaque

➡ Biodireito: Analisar a responsabilidade moral de pesquisas médicas relacionadas a temas, como reprodução, vida e morte.

➡ Direito ambiental: Atuar em questões que envolvam o homem e a sua interação com o meio ambiente.

➡ Direito eletrônico: Analisar questões relacionadas ao ambiente virtual.

➡ Arbitragem: Mediar disputas extrajudiciais, sem a aber-tura de processos.

 

                                                                                                                A consultora digital

Advogada desbrava a área de tecnologia da informação.

“Antes de cursar Direito, eu tive um primeiro contato com o direito digital por meio de um curso técnico de processamento de dados. Naquela época, pesquisando sobre monitoramento de e-mails, comecei a me interessar pelo assunto. Depois, durante a graduação em Direito, um professor me convidou para atuar em uma empresa implantadora de software, com contratos de tecnologia. Foi a chance de juntar o conhecimento técnico que eu tinha com o ramo de atuação que me interessava. Desde 2008, trabalho em um escritório especializado em direito digital. Prestamos consultoria para empresas que querem proteger suas informações e blindar seus negócios, cada vez mais dependentes de tecnologia. Minha atuação vai desde a revisão de contratos de tecnologia até a prevenção e solução de incidentes envolvendo segurança da informação.”

 

 Setores estratégicos para o crescimento do país

Os eventos esportivos que o Brasil receberá nos próximos anos e o bom momento da economia têm demandado profissionais capacitados a manter a infraestrutura nacional em crescimento, bem como a expandir pesquisas e inovações nos ramos da ciência e da tecnologia. Tal cenário, inclusive, levou o governo a mapear esses setores estratégicos e com maior carência de especialistas e a criar o programa Ciência sem Fronteiras, voltado para o intercâmbio entre pesquisadores brasileiros e estrangeiros. A seguir, você encontra mais informações sobre algumas dessas áreas prioritárias.

 

                                                                                                                Biotecnologia

Setor multidisciplinar por excelência, a biotecnologia cuida da aplicação de novas tecnologias nas áreas de saúde, alimentos, química e indústria. Nos últimos anos, as empresas do setor têm conquistados, cada vez mais espaço no mercado e buscam profissionais com qualificação multidisciplinar em química, biologia, física, entre outras áreas – uma característica marcante do biotecnólogo. “O trabalho costuma ser de consultoria ou laboratório com, por exemplo, produção de biocombustíveis, desenvolvimento de kits de diagnóstico, análise que envolvem genética molecular, microbiologia, biomaterial e culturas celulares”, diz Renata de Lima, coordenadora do curso de Biotecnologia da Uniso. Têm destaque a produção de biocombustíveis, uma vez que aumenta a demanda por energia renováveis, e o Brasil é um dos líderes na produção de etanol. São fortes também as pesquisas no setor de saúde, graças aos investimentos que vêm sendo feitos para melhorar a atenção básica à população e às descobertas tecnológicas que permitem avanços na medicina de ponta. Outro setor importante é o agronegócio, por causa da necessidade de aumentar a produtividade nas lavouras.

 

• Atuações em destaque

➡ Produção de biocombustíveis: Pesquisar novas ma-térias-primas para a produção de biocombustíveis.

➡ Saúde: Pesquisar sobre o uso de microrganismos em medicamentos e vacinas. Identificar micróbios causadores de doenças em laboratórios e institutos.

➡ Agronegócios: Aprimorar as técnicas de combate a pragas e doenças nas lavouras e nos rebanhos.

 

                                                                                                                Engenharia

O Brasil forma anualmente cerca de 40 mil engenheiros, mas mantém, a cada ano, um déficit de 20 mil desses profissionais, de acordo com o Conselho Federal da Engenharia e Agronomia (Confea). A carência tem se ampliado ainda mais em razão das obras para a Copa de 2014, os Jogos Olímpicos de 2016, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o programa Minha Casa, Minha Vida e a exploração do pré-sal. Todas essas iniciativas requerem engenheiros para trabalhar com infraestrutura, construção urbana, sane-amento e estruturas e fundações. “O crescimento também levou à necessidade de mais investimentos na área energética e de saneamento, com consequente ampliação da de-manda nas áreas relacionadas, como hidráulica e recursos hídricos e geotecnia”, diz o professor Sergio Koide, chefe do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da UnB. As vagas surgem em obras de estádios, aeroportos, linhas de metrô, empreendimentos imobiliários, escritórios de arquite-tura. Gasodutos, refinarias, barragens, plataformas, entre outros. Quem também é beneficiado por esse cenário é o tecnólogo em Construção Civil.

• Atuações em destaque

➡ Construção Civil: Trabalhar na construção de edifícios e grandes instalações, como estádios e aeroportos.

➡ Engenharia Civil: (infraestrutura e transporte): Projetar obras como rodovias, ferrovias, viadutos, portos, metrôs, túneis e viadutos.

➡ Engenharia Ambiental e Sanitária: Desenvolver projetos e construção de obras de saneamento básico, como redes de captação e distribuição de água e estações de tratamento de água e esgotos.

 

                                                                                                                Tecnologia da informação

O déficit de profissionais de TI pode chegar a 200 mil até 2013, de acordo com um estudo da sociedade Brasileira para Promoção da Exportação de Software (Softex). Com a eco-nomia aquecida, a demanda, que já era grande, segue em crescimento. Isso porque as empresas buscam implementar programas de informatização para otimizar seus negócios e aumentar a competitividade. “A tecnologia é cada vez mais presente em todas as áreas. E hoje, há muitas vagas para profissionais qualificados”, diz Paulo Henrique Mansur, coordenador do Curso de Gestão da Tecnologia da Informação do IF Goiano. A gerência de informações é uma das atuações mais requisitadas porque, com o processo de informatização, as empresas precisam de especialistas em banco de dados e administração de redes. A implantação de softwares também merece destaque, uma vez que o setor bancário necessita de profissionais de TI para operar o software ERP (Enterprise Resource Planning), voltado para a gestão do negócio, e atuar na área de segurança da informação. A constante expansão de mercado também faz surgir oportunidades em desenvolvimento de softwares e gerência de projetos.

 Atuações em destaque

➡ Ciência da Computação: Desenvolver softwares e aplicativos.

➡ Gestão da Tecnologia da Informação: Implementar e gerenciar sistemas informatizados. Fazer a interface entre a administração da empresa e a área de computação.

➡ Sistemas de Informação: Gerenciar banco de dados e redes de computadores

 

                                                                                                                Nanotecnologia

Nano é uma unidade de medida que corresponde à bilionésima parte do metro. Ela serve para medir células, átomos e DNA, dando origem a produtos que vão desde medicamentos e cosméticos até microchips e televisores dobráveis. Utilizando técnicas e ferramentas específicas, o nano tecnólogo organiza átomos e moléculas a fim de dar origem a um produto, processo ou novo material. Trata-se, portanto, de uma profissão imprescindível para o bom desempenho de diversas áreas. Estima-se que, até 2015, o setor de nanotecnologia receba investimentos de cerca de 3 trilhões de dólares em todo o mundo. “No Brasil, o mercado de trabalho também está em alta, embora em menor proporção”, afirma Marco Aurélio Pacheco, coordenador do curso de Engenha-ria em Nanotecnologia do Centro Técnico-Científico da PUC-Rio. Aos poucos, o crescimento econômico do país tem permitido que as empresas busquem os centros de pesquisa e os nano tecnólogos que neles trabalham para atuar com desenvolvimento de seus produtos. Com isso, crescem também as possibilidades na área de pesquisa científica. Os setores de energia e meio ambiente são considerados os mais promissores, por carecer de inovação e exigir soluções para problemas como o tratamento de resíduos industriais e pro-dutos tóxicos.

• Atuações em destaque

➡ Desenvolvimento: Criar produtos e processos tecnológicos para indústrias de diversas áreas. Na extração de petróleo, por exemplo, a nanotecnologia possibilita mai-or aproveitamento e agilidade nos procedimentos

➡ Pesquisa científica: Realizar estudos para universidade e institutos de pesquisa.

 

                                                                                                                Petróleo e gás

A procura por profissionais qualificados para atuar na á-rea cresce desde 2007. “Foi quando o governo anunciou a descoberta do pré-sal. A partir de então, o mercado se manteve em alta, e a demanda na área disparou”, afirma Marco Antônio Rodrigues Ceia, coordenador do curso de Engenharia de Exploração e Produção de Petróleo da Uenf. Enquanto o mundo todo busca obter mais energia, sejam renováveis, sejam de origem fóssil, o pré-sal surge como uma possibilidade de alçar o Brasil ao grupo dos dez maiores produtores do planeta. Para que isso aconteça, a Petrobrás – uma das gigantes no setor, ao lado de empresas como Shell, AGX e Exxon – diz ter de contratar mais 230 mil funcionários. Entre os profissionais beneficiados pela conjuntura, estão os formados em Engenharia de Petróleo. As oportunidades apare-cem em vários estados do país, como Ceará, Pará, Maranhão, Amazonas, São Paulo e Rio de Janeiro. Também são beneficiados os graduados em Mineração, Petróleo e Gás; Oceanografia; Geologia; e Geofísica.

• Atuações em destaque

➡ Engenharia de Petróleo: Prospectar reservas e atuar na exploração de petróleo e gás natural. Projetar equipamentos utilizados nas plataformas marítimas, petroquímicas e refinarias.

 Petróleo e Gás: Atuar na produção e comercialização de petróleo e gás natural.

➡ Geologia: Localizar e acompanhar a exploração de re-servas petrolíferas e de gás natural de modo a não causar danos ao meio ambiente.

➡ Oceanografia: Realizar estudos sobre as características do mar nas regiões de exploração de petróleo.

 

                                                                                                                O “CAÇA-PETRÓLEO”

Geólogo analisa rochas e ajuda a identificar novas reservas.

“Sou geólogo e resolvi me candidatar para processos se-letivos em empresas da área de petróleo e gás por ser um segmento da Geologia que me despertou muito interesse durante a graduação. O contato com diversos profissionais da indústria petrolífera durante o curso foi fundamental para a aproximação com o tema. Entrei, então, no programa de estágio da Shell, e, ao final dele, fui contratado. Hoje, sou geólogo de exploração da Shell Brasil Petróleo, na qual desenvolvo uma série de atividades necessárias para a identificação de novas reservas de petróleo e gás natural. Minha função na equipe é entender quais tipos de rocha existem em determinada região e qual a possibilidade de haver acumulações de hidrocarbonetos no local. Para isso, usamos dados indiretos de investigação geofísica e perfuramos poços para a constatação direta nas rochas.”

• Para um mundo sustentável, profissões verdes

As atividades que contribuem para a redução das emissões de gases de efeito estufa e buscam zelar pela qualidade ambiental atualmente empregam quase 3 milhões de pessoas no mundo. É a economia verde. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que o setor deva abrir nada menos do que 25 milhões de novos postos até 2030. A seguir, você encontra informações sobre profissões intrinsecamente relacionadas a esse movimento, em expansão.

 

                                                                                                                Meio ambiente

A fim de cumprirem à risca as regras ambientais vigentes, em especial para poder exportar, companhias de todo o país buscam profissionais da área de meio ambiente. “Para conquistarem novos mercados, as empresas precisam da certificação e, portanto, de equipes qualificadas, com conhecimento do que exige a legislação, para que cada empreendimento funcione sem acarretar danos ao meio ambiente e desenvolva ações que vão além do que estipula a lei”, diz Ronaldo de Oliveira Dorta, coordenador do curso tecnológico em Gestão Ambiental do Senac-GO. O surgimento das políticas nacionais de educação ambiental e de resíduos sólidos é outro fator que aumenta a percepção de empresários e gestores públicos a respeito da necessidade de contar com gestores ambientais no quadro de funcionários. “As novas políticas determinam normas que os municípios terão de dotar para uma gestão adequada, como banir os lixões, construir aterros sanitários, promover a educação ambiental e fazer a coleta seletiva do lixo”, afirma Dorta. Outra possibilidade é cuidar do tratamento ou da descarga de efluentes, do reuso da água e da racionalização do consumo de energia.

• Atuações em destaque

➡ Gestão ambiental: Planejar, desenvolver e executar projetos que visam à preservação do meio ambiente. Elaborar certificações para empreendimentos e industriais.

➡ Ecologia: Realizar consultoria ambiental e desenvolver avaliações de riscos e impactos ambientais.

➡ Ciências Biológicas: Promover programas de preservação da fauna e da flora e de recuperação de ambientes degradados.

 

                                                                                                                Energias renováveis

Países do mundo todo buscam formas de diminuir as emissões de gases de efeito estufa e não depender somente dos combustíveis de origem fóssil (como petróleo, carvão e gás natural). “Isso faz com que empresas públicas e privadas demonstrem muito interesse na captação de profissionais especializados em energia renovável”, afirma Carlos Alberto Brayner de Oliveira, professor do curso de Engenharia de Energia da UFPE. O fato de 45% da matriz energética brasileira ser composta de fontes renováveis e de o país ser um dos líderes mundiais em produção de hidroeletricidade e etanol comprovam que as portas estão se abrindo para esses profissionais. Eles se voltam para o planejamento e a produção de energia que não poluem, bem como para a mitigação do impacto ambiental gerado por esses sistemas. E as perspectivas para o mercado são de crescimento: o Plano Brasil 2022, do governo federal, com metas e ações estratégicas para promover o desenvolvimento do país, pre-vê investimentos em fontes de energia hidrelétrica e nuclear, além das energias alternativas.

• Atuações em destaque

➡ Biocombustíveis: Atuar na cadeia de produção e comercialização de biocombustíveis provenientes de pro-dutos, como cana-de-açúcar e carvão vegetal, entre outros.

➡ Engenharia de Energia: Planejar e desenvolver sistemas de geração, transporte, transmissão, distribuição e utilização de energia.

➡ Engenharia Hídrica: Elaborar o planejamento da utilização da água de bacias hidrográficas. Realizar projetos de proteção ambiental e avaliar o impacto de obras como usinas hidrelétricas.

 

                                                                                                                Saneamento ambiental

Os graduados nessa área, como os formados em Engenha-ria Ambiental e Sanitária, se inserem rapidamente no mercado de trabalho. A preocupação com o crescimento sustentável, a preservação dos recursos naturais e a diminuição da emissão de poluentes continuam demandando profissionais para atuar com controle de poluição, recuperação de áreas e planejamento e gestão ambiental em geral. “Há procura também no setor de saneamento, uma vez que o país precisa de projetistas de sistemas de abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo de águas pluviais urbanas, tratamento de águas residuais e gestão e tecnologias para os resíduos sólidos”, afirma Lafayette Dantas da Luz, coordenador do curso de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFBA. O aumento dos investimentos na atenção básica à população faz crescer também a frente de saúde pública e abre mercado, ainda, para os formados em Saneamento Ambiental e Saúde. “Depois de uma alta decorrente das condições econômicas estáveis no Brasil – com o aquecimento da economia e o aumento dos investimentos em alguns setores, inclusive via PAC para o saneamento –, vivemos um momento de estabilização”, afirma Dantas da Luz.

• Atuações em destaque

➡ Engenharia Ambiental e Sanitária: Realizar o projeto, a construção, a ampliação e a operação de sistemas de água e esgoto.

➡ Saneamento Ambiental: Construir sistema e redes de água, esgoto, lixo industrial e doméstico.

➡ Saúde pública: Atuar com equipes de saúde para re-forçar ações de vigilância sanitária e saúde preventiva.

 

                                                                                                                Agronegócios

Essa área, intimamente ligada ao meio ambiente, oferece cada vez mais caminhos ligados à sustentabilidade. Prova disso é a importância crescente da Agroecologia na formação do agrônomo. Hoje em dia, aliás, há cursos específicos de Agroecologia. “A mudança ocorre em virtude da globalização e do aumento da conscientização dos consumidores sobre práticas agrícolas danosas ao meio ambiente”, diz Ana Maria Resende Junqueira, coordenadora do curso de Agro-nomia da UnB. “Europa, Estados Unidos, China e países do Oriente Médio, grandes importadores de produtos brasileiros, demandam produtos limpos, ecologicamente corretos; assim, novos arranjos são adotados na agricultura nacional, que não deve apenas produzir, mas fazê-lo com qualidade.” A participação do profissional ligado à agricultura e à pecuária é imprescindível para manter a força do agronegócio, considerado a locomotiva da economia brasileira. Propriedades rurais, empresas, órgãos públicos, cooperativas, bancos e instituições de créditos, agroindústrias, laboratórios e instituições de pesquisas buscam cada vez mais o profissional com essa formação.

• Atuações em destaque

➡ Agroecologia: Assegurar a sustentabilidade dos processos agropecuários.

➡ Agronomia: Melhorar a qualidade e produtividade de lavouras, rebanhos e produtos agroindustriais. Explorar racionalmente os recursos naturais, preservando o meio ambiente.

➡ Agronegócios e Agropecuária: Gerenciar as atividades de uma propriedade rural, desde os cultivos e as crias até a administração dos negócios.

 

                                                                                                                Manejo florestal

A Engenharia Florestal é uma profissão com tendência de alta no mercado, em especial porque sua atuação está relacionada a duas vertentes muito requisitadas por diferentes setores da economia: a ambiental e a de produção. O setor de florestas plantadas atende a uma demanda contínua por produtos origina-dos da madeira, tanto de madeira serrada quanto de papel e celulose. O engenheiro florestal entra com a ecologia aplicada (que envolve o gerenciamento de processos de exploração) e com a fiscalização. “O manejo florestal de florestas nativas, particularmente na região amazônica, também faz a demanda pelo profissional crescer, na medida em que é possível melhorar a regulamentação dos processos de manejo”, diz Soraya Alvarenga Botelho, pró-reitora de graduação e professora do curso de Engenharia Florestal da UFLA. Quanto ao novo Código Florestal, o engenheiro é responsável, entre outros aspectos, por fazer pro-postas para a restauração de áreas de preservação permanente, motivo pelo qual muitas empresas privadas necessitam dessa mão de obra especializada. Além do engenheiro, são beneficia-dos os tecnólogos em Silvicultura e Tecnologia da Madeira.

•Atuações em destaque

➡ Engenharia Florestal: Cuidar do uso sustentável dos recursos florestais.

➡ Tecnologia da Madeira: Acompanhar e gerenciar os processos de transformação da madeira de forma racional.

➡ Silvicultura: Planejar e gerenciar trabalhos voltados ao melhoramento e manejo de florestas nativas e planta-das.

 

                                                                                                     NA ONDA DA SUSTENTABILIDADE

Veja outras profissões que embarcaram no rumo da economia verde.

Alguns cursos que não estão necessariamente relacionados à questão ambiental oferecem opções a quem quer trabalhar por um crescimento sustentável. Veja a seguir alguns deles:

➡ Ciências contábeis: Além de cuidar das contas de uma empresa, esse profissional tem um novo desafio: integrar os relatórios financeiros e contábeis da companhia aos de sustentabilidade. Só dessa maneira, é possível incluir o pensamento sustentável na vida empresa-rial.

➡ Ecodesign: Vertente dos cursos de design, essa área forma profissionais especializados em criar embalagens e produtos para durarem mais e sobrecarregarem me-nos os recursos naturais.

➡ Urbanismo: Os bons cursos preocupam-se em combinar o desenvolvimento das cidades com sustentabilidade.

 

                                                                                                                O DOUTOR DA MATAS

Engenheiro florestal recupera áreas degradadas para empresa

“Durante o curso de Engenharia Florestal, fui bolsista de iniciação científica na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e pesquisava sobre recuperação de áreas degradadas. Em 2006, entrei no projeto Vale Florestal, um dos maiores fundos de reflorestamento do Brasil, do qual a empresa Vale faz parte. Fui morar em Dom Eliseu (PA), onde estruturei a gestão de resíduos da unidade, fiz planos de prevenção e combate a incêndios florestais e coordenei projetos de recuperação em áreas de preservação. Depois de três anos, coordenei o processo de licenciamento ambiental das obras de duplicação da Estrada de Ferro Carajás em São Luis (MA) e, no ano seguinte, fui trabalhar em Carajás, na maior mina de ferro a céu aberto do mundo. Após uma experiência no exterior, voltei à Vale em 2011 para integrar a gerência de Recuperação Ambiental, no Rio de Janeiro. Hoje, nosso maior desafio é estabelecer diretrizes para esses processos, a serem seguidas em todos os países onde a Vale está presente.”

 

 

 

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